Todos
nós temos questões mal resolvidas que carregamos desde a infância. Com o passar
do tempo, elas acabam nos causando problemas de ordem mental, emocional e
física sem que nos demos conta do motivo. Isso acontece porque, por não
sabermos como resolvê-las, acabamos por reprimi-las, torcendo para que
desapareçam sozinhas.
Lise
Bourbeau e seus ensinamentos
Segundo
Bourbeau, aqueles nossos problemas emocionais, físicos e mentais vêm de cinco
feridas ocorridas na infância: a rejeição, o abandono, a humilhação, a traição
e a injustiça.
Desamparados,
tentamos enterrá-las nas profundezas da nossa consciência, acreditando que,
assim, deixarão de ter efeito sobre nós. É uma forma de autoproteção. O efeito
disso é que criamos o que a autora chama de máscaras. Cada
ferida tem uma máscara própria, que utilizamos como forma de proteção – para
evitar repetir o sofrimento e a dor das feridas.
O
que são essas máscaras?
Para
ficar mais claro, imagine que você acidentalmente faz um corte profundo na mão.
Para poder seguir com a sua rotina, você protege sua mão com uma luva.
Inicialmente, ela pode até trazer algum alívio, mas jamais levará à
cicatrização do corte. Além disso, se uma pessoa que nos ama muito tocar nossa
mão, sentiremos dor. Por mais que seu toque seja delicado, amoroso e
bem-intencionado, ele nos fará recolher a mão com medo de sentir novamente
aquela dor.
É
assim que funcionam as máscaras. Elas não resolvem nossas feridas; são apenas
uma forma de evitarmos passar pela mesma situação que nos causou tanto
sofrimento no passado. Segundo Lise Bourbeau, elas funcionam da seguinte forma:
|
FERIDA |
MÁSCARA |
|
Rejeição |
Fuga |
|
Abandono |
Dependência |
|
Humilhação |
Masoquismo |
|
Traição |
Controlo |
|
Injustiça |
Rigidez |
A
verdade é que todos temos essas feridas, mas o que Lise Bourbeau nos explica é
que cada um tem uma ferida predominante. Todos sofremos quando somos
rejeitados, abandonados, humilhados, traídos ou injustiçados. Mas, quando
possuímos a ferida de que fala Lise Bourbeau, a dor é profunda, arrebatadora e
paralisante. É uma dor que nos faz entrar em crise cada vez que a sentimos.
Essas feridas encobrem a nossa essência e o nosso potencial, nos impedindo de ser tudo aquilo que podemos ser.
É preciso um processo que envolve muito autoconhecimento. Para lembrar quem somos, precisamos primeiro ter consciência de tudo aquilo que não somos. E entender que não somos definidos pelas nossas feridas.

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